sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O ESPELHO DE MOGLI



O ESPELHO DE MOGLI
Olivier Schrauwen / 2014 / Edições MMMNNNRRRG

Olivier Schrauwen nasceu em Bruxelas em 1977 mas vive em Berlin e não é propriamente um desconhecido nem um autor não reconhecido. Louvado por artistas como Art Spiegelman ou Chris Mautner, Schrauwen tem já um passado na àrea da animação, da ilustração e da banda desenhada. Alguns dos seus trabalhos - que partem das premissas da escola da "linha clara" mas vão bem mais além destas -, são hoje clássicos contemporâneos que receberam aplausos por parte dos seus pares, críticos, leitores ou estudantes de design e de escolas de arte. É um autor a revelar ao público português (ele existe?) mas não glorifiquemos este "O Espelho de Mogli", tal como tenho visto um pouco por todos os blogues nacionais que, reféns das editoras que lhes oferecem os álbuns se sentem condicionados na sua análise. A obra não passa da recuperação de um trabalho editado em 2011 e que os intelectuais de Angoulême haviam seleccionado para os Prémios desse Festival de BD, agora submetida a nova colorização, aumento de número de páginas e de formato. É uma obra graficamente apelativa, quase singela e naif, que se baseia na personagem do romance de Joseph Rudyard Kipling (1865–1936) mas se perde um pouco numa história básica e efémera. Se era para começar por algum lado, preferia que tivesse sido por "My Boy" ou "Arsène Schrauwen" que, como escreveu Matt Seneca algures, são livros onde um autor interessante se converteu num grande artista de banda desenhada. Assim, sob chancela das Edições MMMNNNRRRG do inevitável Marcos Farrajota, lá ficámos pelas habituais tretas da reflexão "sobre o papel do Homem no Mundo e a fina fronteira que separa o homem do animal".
 

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