Mostrar mensagens com a etiqueta Álbum. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Álbum. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

PAPÁ EM ÁFRICA



PAPÁ EM ÁFRICA
Anton Kannemeyer / 2014 / Edições MMMNNNRRRG

Sempre considerei o mentor das Edições MMMNNNRRRG como um rapaz de bom gosto e com tomates. Não é por acaso que gosta de bandas de inspiração satânica!!! Ainda por cima, escreve bem e dá gosto ler. Talvez escrever bem seja um exagero, mas dá realmente gosto ler. Isto a propósito da edição de "Papá em África" -  do inexpugnável sul-africano Anton Kannameyer -, o melhor álbum publicado em Portugal durante o corrente ano, ainda fresco nos escaparates mas difícil de encontrar nos mesmos pois esta malta da BD gosta de se apresentar como culta mas não deixa de ser algo conservadora! Atenção que isto não é assunto para rapazes ou raparigas sensíveis. Quando comprei o livro, numa livraria especializada, o colaborador da mesma estava a recebe-los e a preparar a sua devolução ao editor e só por mero acaso raptei o meu exemplar antes do acto. Não concebo melhor definição de ser punk nos dias que correm sem se ser anacrónico do que a da criação - e porque não também edição - de uma obra deste calibre. Num pastiche sarcástico ao "Tintin no Congo" de Hergé, o álbum - que não é mais que uma compilação de memoráveis trabalhos de Kannemeyer publicados originalmente na revista "Bitterkomix" -, apresenta uma bela capa cartonada que, numa qualquer estante de uma qualquer FNAC, poderá induzir as crianças a pensar que saiu um novo Tintin.



Nascido em 1967 numa África do Sul racista e sob o jugo do apartheid, Anton Kannemeyer revelou-se em 1992 como Joe Dog, um pseudónimo criado para não ter que enfrentar possíveis consequências dos seus devaneios, Não me é usual mas não consigo melhor descrição e/ou conceito sobre esta obra que a debitada por Crizzze e Marcos Farrajota no pósfácio da mesma. Para quê tentar explicar por palavras próprias o que está já tão perfeitamente descrito? "Papá em África é uma crítica à dominação racial e colonial qyue atravessa ainda hoje, em pleno pós-apartheid, a sociedade sul-africana, mostrando como certas estruturas sobrevivem à destruição dos quadros legais que lhe deram origem. Mas não se enganem, não vão encontrar na obra de Anton, caminhos ou sonhos para uma "nação arco-íris"; nem é oferecida nenhuma reinvenção do lugar do negro na BD ou alguma espécie de "herói" negro da resistência que pudesse ser "voz" da população negra sul-africana". Extremamente recomendável!

O ESPELHO DE MOGLI



O ESPELHO DE MOGLI
Olivier Schrauwen / 2014 / Edições MMMNNNRRRG

Olivier Schrauwen nasceu em Bruxelas em 1977 mas vive em Berlin e não é propriamente um desconhecido nem um autor não reconhecido. Louvado por artistas como Art Spiegelman ou Chris Mautner, Schrauwen tem já um passado na àrea da animação, da ilustração e da banda desenhada. Alguns dos seus trabalhos - que partem das premissas da escola da "linha clara" mas vão bem mais além destas -, são hoje clássicos contemporâneos que receberam aplausos por parte dos seus pares, críticos, leitores ou estudantes de design e de escolas de arte. É um autor a revelar ao público português (ele existe?) mas não glorifiquemos este "O Espelho de Mogli", tal como tenho visto um pouco por todos os blogues nacionais que, reféns das editoras que lhes oferecem os álbuns se sentem condicionados na sua análise. A obra não passa da recuperação de um trabalho editado em 2011 e que os intelectuais de Angoulême haviam seleccionado para os Prémios desse Festival de BD, agora submetida a nova colorização, aumento de número de páginas e de formato. É uma obra graficamente apelativa, quase singela e naif, que se baseia na personagem do romance de Joseph Rudyard Kipling (1865–1936) mas se perde um pouco numa história básica e efémera. Se era para começar por algum lado, preferia que tivesse sido por "My Boy" ou "Arsène Schrauwen" que, como escreveu Matt Seneca algures, são livros onde um autor interessante se converteu num grande artista de banda desenhada. Assim, sob chancela das Edições MMMNNNRRRG do inevitável Marcos Farrajota, lá ficámos pelas habituais tretas da reflexão "sobre o papel do Homem no Mundo e a fina fronteira que separa o homem do animal".
 

domingo, 7 de setembro de 2014

ESTACIÓN 16



ESTACIÓN 16
Hermann/Yves H. / 2014 / ecc

Maio de 1997, Rússia, ao norte do Círculo Polar Ártico. Um novato de uma patrulha fronteiriça recebe um sinal de socorro demitido pela Estação 16 nque há muitos anos se encontra desactivada devido ao desinvestimento russo no seu programa nuclear. Ninguém ali vive desde a era dourada das experiências atómicas que se realizaram há 30 anos. Quando, integrado no seu pelotão, procuram investigar o que se passa, encontram um ferido que garante ter sido atacado pelo novato. É nessa altura que uma explosão eclode nos céus! Neste mistério que avança e recua no tempo, a equipa criativa formada por Hermann e pelo seu filho Yves H., oferece uma grande aventura sobre o elevado preço que a humanidade tem que pagar devidos aos erros do passado. Hermann continua ihgual a si mesmo, explorando ao limite os cenários e situações apocalípticas, na senda do que fez com Jeremiah. A tensão, elemento sempre presente nas suas aventuras, é quase um guia do enredo. Graficamente, o álbum tem momentos memoráveis, com pranchas dignas de figurarem nos anais das melhores de sempre!

THE FALL



THE FALL
Ed Brubaker/Jason Lutes
2001, Planeta de Agostini