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domingo, 14 de setembro de 2014

CONCERTO PARA OITO INFANTES E UM BASTARDO



Na posse, desde a altura da sua original edição nas páginas do semanário "Se7e", de praticamente toda a obra de Fernando Relvas publicada nesse jornal, inicio aqui a sua divulgação digital restaurada. A colaboração de Relvas no jornal iniciou-se em 1982 com "Concerto para Oito Infantes e Um Bastardo", uma novela suburbana na linha de "L123" e "Cevadilha Speed" publicadas nos últimos anos do Tintin. É quase um crime estas pranchas serem desconhecidas de grande parte do público. O autor remontou, em 2002, esta banda desenhada, conforme consta no seu blogue "Hardline", numa versão algo distinta da original, muito provavelmente para edição no estrangeiro. A edição das restantes histórias far-se-á cronologicamente.














Esta história foi concebida em 1982, quando eu vivi durante um breve período de tempo na Alemanha, com o título de "Fred? Fred Está Morto". Um jovem taxista envolve-se em problemas de um velho amigo, Fred, que acaba morto devido ao seu envolvimento no tráfico de cocaína. Era suposto ser a continuação de um outro trabalho que publicara na versão portuguesa da revista Tintin. Era o meu regresso a um tipo de narrativas ligadas aos ambientes suburbanos do crime e das drogas duras. Mas a revista terminou abruptamente e tive que procurar um novo local para editar o meu trabalho caso quisesse sobreviver. Escolhi um jornal semanário ligado ao espectáculo - cinema, teatro, televisão e sobretudo música - intitulado "Se7e". O editor, depois de alguma hesitação, decidiu finalmente aceitar a publicação do meu trabalho. O motorista de táxi foi transformado num jornalista, mais alto e vestido de acordo com o padrão da moda urbana europeia da altura. Parte da história gira em torno de uma estrela pop, Kiki Lavil, cujo único objectivo era tornar a história ainda mais elegante e adaptada ao meio onde iria ser publicada. Em simultâneo, decidi dar a Fred uma chance de sobreviver, pois não está claro, no final, se ele morre ou não. É uma história de 23 páginas intitulada "Concerto para Oito Infantes e Um Bastardo". Percebi de imediato que o leitor habitual do jornal tinha alguma dificuldade em seguir o ritmo da edição semanal em regime de continuação da meia prancha, a preto e branco e em papel pobre de jornal e, depois de "Concerto" optei por me dedicar a criar histórias curtas, experimentando muitos estilos distintos de texto e desenho com resultados irregulares. Em 2002 refiz "Concerto para Oito Infantes e Um Bastardo" numa versão que foi parcialmente editada numa revista.
[Fernando Relvas, Hardline Blogue, 23-02-2011]